Construir: prepare a IA para fazer o seu trabalho
Neste nível você cria o seu primeiro agent — um assistente de IA preparado por você, para uma tarefa sua. E vai fazer isso sem escrever código: descrevendo o trabalho em português, com o blueprint do Nível 1 como roteiro.
Em 6 etapas, você vai:
- Entender o que é um agent e o que é uma skill
- Escolher a tarefa certa para começar (a mais simples!)
- Organizar a informação que a IA vai precisar
- Criar o seu primeiro agent, conversando com a ferramenta
- Testar com um caso real e aprender a ajustar
- Criar a segunda automação e conectar as duas
Tempo total: 3 a 5 horas, em sessões curtas — a primeira sessão (Etapas 1 a 5) leva cerca de 90 minutos. Pré-requisitos: o blueprint do Nível 1 pronto e a sua ferramenta de agents instalada.
Este nível inteiro acontece dentro da sua ferramenta de agents — Claude Code, Codex ou OpenCode, você escolhe uma na página de Preparação. A instalação leva uns 20 minutos e o guia foi feito para quem nunca usou um terminal. Instale, faça o login e volte para cá.
Ir para a Preparação →Etapa 1 — Entenda o que são agents e skills (10 min de leitura)
Imagine que você contratou um assistente novo, muito capaz, mas que não conhece nada do seu trabalho. No primeiro dia, você explica uma tarefa: o que chega, o que fazer, o que entregar. A partir daí, ele executa sozinho — sempre do mesmo jeito, quantas vezes precisar.
Um agent é exatamente isso, em forma de IA: um assistente que você instrui uma vez e que executa a tarefa sempre que chamado. A diferença para o chat é essa permanência:
| Chat de IA | Agent | |
|---|---|---|
| Memória | Esquece tudo quando a conversa acaba | Guarda as instruções e o contexto do seu trabalho |
| Esforço | Você explica tudo de novo, toda vez | Você explica uma vez; depois é só usar |
| Resultado | Varia conforme a pergunta do dia | Consistente — segue sempre o mesmo processo |
E uma skill? É uma habilidade específica que você ensina ao agent: consultar uma planilha, formatar um e-mail num padrão, registrar algo num arquivo. Pense assim: o agent é o assistente; as skills são as habilidades dele. No fim desta página você cria a sua primeira.
O segredo não é saber programar. É saber descrever. Se você sabe explicar o seu trabalho, você sabe criar um agent.
Etapa 2 — Escolha a tarefa certa para começar (5 min)
Abra o seu blueprint. Você vai escolher uma tarefa para o primeiro agent — e aqui vale uma regra que contraria a intuição:
A primeira construção serve para você aprender o método e ganhar confiança. A tarefa complexa vem depois, na Etapa 6 e no Nível 3. Vitória fácil primeiro.
Uma boa primeira tarefa tem estas três características. Confira no blueprint:
- ✓ As regras são claras — você descreveu o "EU FAÇO" sem muitos "depende"
- ✓ A informação é acessível — os dados estão em arquivos, planilhas ou textos que você consegue mostrar para a IA
- ✓ O resultado é verificável — você bate o olho e sabe se ficou certo ou errado
Etapa 3 — Organize a informação que a IA vai usar (20 min)
A IA trabalha bem quando recebe a informação organizada. Para a tarefa escolhida, anote três coisas — é o seu blueprint traduzido para o que a IA precisa ler:
| Elemento | O que definir | Exemplo (qualificar leads) |
|---|---|---|
| Fontes de dados | De onde a IA puxa a informação | Mensagens do formulário do site + planilha de imóveis disponíveis |
| Contexto relevante | O que a IA precisa saber para decidir certo: regras, critérios, tom | "Lead com orçamento abaixo de X recebe resposta padrão; acima, marco para eu ligar. Tom: cordial e direto." |
| Output esperado | O resultado e o formato exato | E-mail de resposta pronto + lead marcado como quente/frio na planilha |
Deixe também os arquivos à mão: se a tarefa usa uma planilha, saiba onde ela está no computador; se usa e-mails, separe dois ou três exemplos reais. Você vai mostrar isso à IA na próxima etapa.
Leia os três elementos em voz alta. Se um assistente humano novo conseguiria executar a tarefa com só essas informações, a IA também consegue. Se você notou um buraco ("ah, mas ele precisaria saber X"), anote o X no contexto.
Etapa 4 — Crie o seu primeiro agent (30–40 min)
Chegou a hora. Você vai abrir a sua ferramenta de agents e conversar com ela — em português, como conversaria com um assistente novo. Siga os 3 passos na ordem, copiando os modelos de mensagem e adaptando ao seu caso.
Abra a ferramenta e quebre o gelo
Abra a sua ferramenta de agents: no PowerShell, digite o comando dela — claude,
codex ou opencode — e aperte Enter. Vai aparecer um campo de texto — é ali que
você conversa. Digite a sua primeira mensagem, sem nenhum comando técnico:
A IA vai responder de forma acolhedora e perguntar sobre a tarefa. Pronto — o medo da "ferramenta de programador" acaba aqui.
Descreva a tarefa usando o seu blueprint
Agora descreva a tarefa escolhida. Use as quatro colunas do blueprint como roteiro — elas viram esta mensagem:
Não tente "escrever técnico" — escreva como explicaria no cafezinho. Quanto mais natural, melhor a IA entende.
Peça para a IA construir — e deixe que ela conduza
A partir daqui a IA assume a direção: ela cria os arquivos, faz perguntas e te mostra o resultado. O seu papel é responder as perguntas dela com a realidade do seu trabalho.
| Se acontecer… | Faça isto |
|---|---|
| "Não sei o que escrever" | Abra o blueprint e leia em voz alta a coluna "EU FAÇO" — depois digite exatamente o que leu |
| Apareceu um erro técnico | Copie o erro inteiro, cole na própria IA e diga: "resolve isso para mim e me explica o que era" |
| A IA pediu uma decisão que você não entende | Responda: "escolha você a melhor opção e me explique por quê" |
| Não entendeu a explicação da IA | Diga: "não entendi, explica de outro jeito, mais simples" |
| Vontade de desistir e pular para a tarefa complexa | Segure: primeiro a vitória fácil. A complexa tem o seu momento |
Etapa 5 — Teste com um caso real e ajuste (20–30 min)
Agent criado, hora da prova: rode-o com um exemplo de verdade do seu trabalho — um lead real, um documento real, um e-mail real. Peça à IA:
Olhe o resultado com olho de dono: quase nunca sai perfeito de primeira — e isso é esperado. Agora vem a lição mais importante do nível inteiro:
Diga à IA, com as suas palavras, o que ficou errado — e peça para corrigir. "O e-mail ficou formal demais, deixa mais próximo." "Você esqueceu de marcar o status na planilha." Repita o ciclo testar → apontar → corrigir até ficar bom. Ninguém acerta de primeira, nem programador. Quem domina esse ciclo, domina a ferramenta.
Rode o agent com 3 casos reais diferentes. Se os três saírem certos (ou precisarem só de retoque), o agent está pronto. Se um tipo de caso sempre sai errado, é sinal de uma regra que ficou fora do contexto — volte à Etapa 3, anote a regra e repasse para a IA.
Etapa 6 — Crie a segunda automação e conecte as duas (40–60 min, pode ser outro dia)
Um agent sozinho resolve um problema. O salto acontece quando dois trabalham juntos. Volte ao blueprint e pegue o processo marcado como prioridade nº 1 no diagnóstico (ou o próximo da fila, se já foi). Agora você vai criar uma skill que se conecta ao agent da Etapa 4.
Descreva a conexão para a IA
Teste o fluxo completo
Acione tudo com um único pedido e acompanhe: a informação entra, o agent processa, a skill completa. Exemplo: o agent qualifica o lead; a skill registra o lead na planilha e prepara o e-mail de resposta. Dois processos, um acionamento — você pede uma vez e recebe pronto.
Esse encadeamento — resultado de um alimentando o outro — é a semente do workflow que você vai expandir no Nível 3.
Você concluiu o Nível 2 quando…
Confira cada item antes de avançar:
- ✓ Tem pelo menos 1 agent funcionando em um processo real do blueprint
- ✓ Tem pelo menos 1 skill conectada ao agent, rodando em sequência
- ✓ Consegue descrever um processo em linguagem natural para a IA construir
- ✓ Já passou pelo ciclo completo: errou → apontou o erro → a IA corrigiu → funcionou
- ✓ Organizou fontes de dados, contexto e output dos processos automatizados
Marco da jornada: Praticante. Você cria assistentes de IA para o seu próprio trabalho — descrevendo, testando e ajustando. Falta o último salto: fazer o conjunto operar como um sistema, em escala.